segunda-feira, 2 de maio de 2011

' Escrever


- Tenho constante mania de escrever, sem nenhuma intenção de ser reconhecida por isso ou coisa do tipo. É simplesmente um gosto, ou poderia ser chamado vício?! O certo é que me sinto bem ao escrever. Gosto e vejo beleza nas palavras, independente delas ditas ou escritas, tudo depende do modo de como você as interpreta. Poemas ou prosas. Versos livres ou sonetos. Pode parecer tolo escrever do nada, mas para mim há sempre um papel em branco ou uma página limpinha no computador onde posso soltar meus sonhos, e  qualquer pessoa pode escrever, mas pra isso é preciso que as palavras tenham vida própria e não se deixem liderar por nós. Não somos nada mais que seus transmissores.
Sempre há alguma palavra que nos identifique mais, por mais que sejam pequenas, possui uma grandeza chamada sentimento. Um “Eu te amo” não diz nada perto do que é o amor. “Sinto saudades” não chega nem perto do que nos dói. E mesmo assim, são palavras jogadas ao vento que nos preenchem de vida, como o “silêncio”, “nada” e “vazio”.
Existem palavras que parecem que nos lêem e não são somente lidas, e com isso nos sentimos bem. Pegue um papel, escreva, transcreva tudo que vier na sua cabeça, na sua mente. Com certeza sairá linhas que expressem graça, que de alguma maneira lhe fará rir. Sentimentos humanos quando escritos num papel e expressados em formas de textos, contos e letras de músicas parecem-nos característicos. Feitos sob medida. Mesmo que de alguma forma aquilo também toque alguém e eternize momentos.
___Clarice Lispector traduziu de forma nobre esse experimento com as palavras, "Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada. Não é fácil escrever. É duro quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados".
 Reproduzir o irreproduzível, abençoar o que não pode ser abençoado. É difícil e até curioso tentar traduzir quem somos, o que realmente queremos e o que pensamos. O ser humano vive em constante mudança. Tentar quebrar nossas pedras interiores é duro. Dói.
As palavras também nos levam a lugares inusitados, aos mares nunca navegados, aos nossos mares mais profundos e desafiadores. Mas antes viver esse sentimento do que morrer encarcerado nos próprios pensamentos.
As regras gramaticais de nada valem nos pensamentos, nem mesmo o melhor vocabulário que se tenha. Não se pode imprimir o que a mente não criou. São indispensáveis idéias e sentimentos ponderados, acionados, vividos por neurônios, olhos que ouvem, mãos que falam, bocas que vêem, cabelos que correm velozmente ao vento e são inteiramente você. A gramática, a sintaxe e a ortografia de nada valem, são apenas estruturas de palavras. Já o sentimento, o pensar, a dor, o sabor e o querer... esses sim, transformam tudo em experiência! 
Você sabe dizer quantos aniversários você já fez, mas não sabe dizer quantas vezes seu corpo sentiu calafrios quando viu a pessoa amada, ou quantas vezes perdeu-se o fôlego e seu coração disparou.
Então não viva nas entrelinhas, seja autor da sua própria vida. Se deixe ler... viva!

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever.
Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?
Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos?
Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato.
Os dois juntos - sou eu que escrevo o que estou escrevendo."
-
Clarice Lispector




Beijos Déborah L.