Tudo aqui quer me revelar. Minha letra, minha roupa, meu paladar.
O que eu não digo. O que eu afirmo. Onde eu gosto de ficar.
Quando amanheço. Quando me esqueço. Quando morro de medo do mar...
O que eu não digo. O que eu afirmo. Onde eu gosto de ficar.
Quando amanheço. Quando me esqueço. Quando morro de medo do mar...
(Zélia Duncan)
- Pensei que estivesse acertando o ritmo, o tema, o tempo, o lugar pra abrigar meu olhar, mas esse sentimento não encontra a palavra certa. Sinto que nada se traduz e as palavras parecem se perder em meio a tantos labirintos encontrados dentro de mim. Já faz algum tempo onde meus textos viram apenas rascunhos salvos em uma pasta de computador ou em mais uma folha perdida no meio do caderno. As palavras se amontoam junto a tantas coisas escritas que aparecem do nada. Na mente, no coração. Parecem apenas frases incertas, desconcertadas. Difíceis de serem publicadas, mas com muito sentimento e pouca harmonia.
Apesar de tudo, não consigo parar de escrever. Acho que tudo que acontece comigo se acumula e quando não dá mais pra segurar, começo a registrar tudo que sinto em um português desajustado, meio sem nexo. Começo a rabiscar as últimas folhas do caderno e ate mesmo naquele pedacinho de papel jogado no fundo da bolsa. Não consigo parar de escrever, e não escrevo a fim de consertar erros de escrita, mas acho que escrevo na finalidade de consertar meus deslizes a cada escrita sobre minha vida. Estou sempre escrevendo e reescrevendo mentalmente minhas impressões, meus pensamentos, meus momentos, meus sentimentos, sejam eles errados ou certos. Continuo insistindo na idéia de que erros ortográficos não representam nada e nem são dignos de críticas, pois estes não pesam, mas já os erros de atitude, estes sim, pesam no pensamento.
Ultimamente vejo meus textos como formas de desabafos, talvez até flores que insistem em permanecer num jardim onde o jardineiro não sabe se continua seu trabalho, por estar cansado e desatento. Alguém que procura acreditar que sempre há uma nova chance. Que acredita na sua arte. Nem tudo que é belo se forma por cuidados minuciosos ou pequenos detalhes observados por todos, só os mais sábios de espírito conseguem enxergar a beleza da simplicidade. Não preciso ser a mais bela flor do jardim pra ser a mais bela de todas as flores. A flor que existe em mim, veio do mato, sem cuidados especiais, apenas da beleza da natureza. Daquelas que crescem quando já não são mais lembradas. Que tomam rumo natural e despertam somente os donos dos olhares demorados.
Faz algum tempo onde sinto medo das minhas entrelinhas. Talvez quisesse fugir de quem nem me perseguia. Não ser cobrada de algo que não quero e nem posso revelar. Me sinto impaciente e rígida comigo mesma. Aquele olhar grande e simples que sempre tive com relação ao tempo e a poesia se tornou, por alguns instantes, algo pequeno. Mas não sei desistir. Não quero. Não posso. Preciso retornar a casa, não reparar no relógio, sentar-me sem pressa e deixar que as linhas tomem forma e as palavras ganhem vida.
Sigo quebrando pedras encontradas no meu interior, e a cada questionamento que faço por haver tantas perguntas em mim, escrevo.
Escrevo sem saber nem a quem está destinado, escrevo talvez por mania, ou por gosto, ou por vício, eu diria. Escrevo pra não morrer engasgada com tantas coisas dentro de mim. Pra não morrer de amor. Prefiro escrever por ser aquela flor esquecida no meio do mato do que gente que tem medo de sentir e ser não lembrada. Acho que eu sou assim. Sem medo de publicar quem sou. Sem medo de perder amigos ou amores por me abrir a um mundo onde a maioria não se mostra ser o que é, onde a maioria se esconde atrás de mascaras e escudos.
Até o que não escrevo me torna cheia de vida. E vou me perdendo nos meus silêncios. Na voz calada. Nas palavras mudas que me descrevem.
“Pensei que estivesse acertando o ritmo, o tema, o tempo, o lugar pra abrigar meu olhar, mas esse sentimento não encontra a palavra certa. Sinto que nada se traduz e as palavras parecem se perder em meio a tantos labirintos encontrados dentro de mim....’’
Beeijos ;* Déborah L.


