sexta-feira, 27 de maio de 2011

' Revelar.


Tudo aqui quer me revelar. Minha letra, minha roupa, meu paladar.
O que eu não digo. O que eu afirmo. Onde eu gosto de ficar.
Quando amanheço. Quando me esqueço. Quando morro de medo do mar...
(Zélia Duncan)
 
- Pensei que estivesse acertando o ritmo, o tema, o tempo, o lugar pra abrigar meu olhar, mas esse sentimento não encontra a palavra certa. Sinto que nada se traduz e as palavras parecem se perder em meio a tantos labirintos encontrados dentro de mim. Já faz algum tempo onde meus textos viram apenas rascunhos salvos em uma pasta de computador ou em mais uma folha perdida no meio do caderno. As palavras se amontoam junto a tantas coisas escritas que aparecem do nada. Na mente, no coração. Parecem apenas frases incertas, desconcertadas. Difíceis de serem publicadas, mas com muito sentimento e pouca harmonia.
Apesar de tudo, não consigo parar de escrever. Acho que tudo que acontece comigo se acumula e quando não dá mais pra segurar, começo a registrar tudo que sinto em um português desajustado, meio sem nexo. Começo a rabiscar as últimas folhas do caderno e ate mesmo naquele pedacinho de papel jogado no fundo da bolsa. Não consigo parar de escrever, e não escrevo a fim de consertar erros de escrita, mas acho que escrevo na finalidade de consertar meus deslizes a cada escrita sobre minha vida. Estou sempre escrevendo e reescrevendo mentalmente minhas impressões, meus pensamentos, meus momentos, meus sentimentos, sejam eles errados ou certos. Continuo insistindo na idéia de que erros ortográficos não representam nada e nem são dignos de críticas, pois estes não pesam, mas já os erros de atitude, estes sim, pesam no pensamento.
Ultimamente vejo meus textos como formas de desabafos, talvez até flores que insistem em permanecer num jardim onde o jardineiro não sabe se continua seu trabalho, por estar cansado e desatento. Alguém que procura acreditar que sempre há uma nova chance. Que acredita na sua arte. Nem tudo que é belo se forma por cuidados minuciosos ou pequenos detalhes observados por todos, só os mais sábios de espírito conseguem enxergar a beleza da simplicidade. Não preciso ser a mais bela flor do jardim pra ser a mais bela de todas as flores. A flor que existe em mim, veio do mato, sem cuidados especiais, apenas da beleza da natureza. Daquelas que crescem quando já não são mais lembradas. Que tomam rumo natural e despertam somente os donos dos olhares demorados.
Faz algum tempo onde sinto medo das minhas entrelinhas. Talvez quisesse fugir de quem nem me perseguia. Não ser cobrada de algo que não quero e nem posso revelar. Me sinto impaciente e rígida comigo mesma. Aquele olhar grande e simples que sempre tive com relação ao tempo e a poesia se tornou, por alguns instantes, algo pequeno. Mas não sei desistir. Não quero. Não posso. Preciso retornar a casa, não reparar no relógio, sentar-me sem pressa e deixar que as linhas tomem forma e as palavras ganhem vida.
Sigo quebrando pedras encontradas no meu interior, e a cada questionamento que faço por haver tantas perguntas em mim, escrevo.
Escrevo sem saber nem a quem está destinado, escrevo talvez por mania, ou por gosto, ou por vício, eu diria. Escrevo pra não morrer engasgada com tantas coisas dentro de mim. Pra não morrer de amor. Prefiro escrever por ser aquela flor esquecida no meio do mato do que gente que tem medo de sentir e ser não lembrada. Acho que eu sou assim. Sem medo de publicar quem sou. Sem medo de perder amigos ou amores por me abrir a um mundo onde a maioria não se mostra ser o que é, onde a maioria se esconde atrás de mascaras e escudos.
Até o que não escrevo me torna cheia de vida. E vou me perdendo nos meus silêncios. Na voz calada. Nas palavras mudas que me descrevem.


                          “Pensei que estivesse acertando o ritmo, o tema, o tempo, o lugar pra abrigar meu olhar, mas esse sentimento não encontra a palavra certa. Sinto que nada se traduz e as palavras parecem se perder em meio a tantos labirintos encontrados dentro de mim....’’

Beeijos ;* Déborah L.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

‘ Não-Amor


- Até agora ainda não sei pra onde estamos tentando caminhar, mas acredito que as coisas não vão nada bem. Explico: lá estamos. Donos de nós mesmos, buscando uma vida bem sucedida, carreira. Sonhando em ter aquela casa bacana, a melhor das vidas e na procura da família perfeita. E ao mesmo tempo lá estamos nós, afundando na mesma abertura de relacionamentos meia-boca. Comigo é assim, e sei que com você também é. Quase sempre procuramos o amor nos lugares mais errados. Naquela pessoa que não nos respeita, ou até mesmo aquela que não quer o mesmo que a gente quer. Naquela terceira que não te admira. E não é nada fácil perceber, bater de frente e encarar que aquela pessoa não sente o mesmo que você, não demonstra o mesmo cuidado que você tem por ela. Respeito. Admiração. Muitas vezes fechamos os olhos, tapamos os ouvidos e vamos fingindo que tudo vai indo bem, até que uma hora você acorda e a verdade esfrega na sua cara a “merda” que você tá fazendo. E o que a gente faz? Topa a música no volume mais alto, e de preferência aquela mais romântica e bem brega, que é pra não escutar. Ai a verdade reaparece mais uma vez e só sabemos dizer que: “enquanto não vem a pessoa certa, a gente se diverte com as erradas”. (No entanto, tenho certeza de que todos nós ainda vamos repetir isso por mais algumas vezes na vida).
E a gente se pergunta onde foi parar tudo aquilo que passamos juntos. Mas eu sei que é difícil largar alguém que você pensa saber tudo sobre você, só porque esse alguém sabe a cor das suas calcinhas, sabe como você acorda, ou te conhece desde adolescente, ainda esquisitinha e ate desengonçada. Resumindo: é difícil largar de alguém que – você acha- que te ensinou o que é o amor.
Mas já parou pra pensar o quando a gente se auto-sabota? Já parou pra pensar quantas desculpas você já inventou pra tentar justificar essa insistência em relacionamentos que nós sabemos que nunca darão certo? Muitos diriam que isso seria falta de amor-próprio. Quantas noites em claro procurando um culpado, inventando motivos, perdendo tempo tentando reviver algo que nunca existiu! E nisso a gente vai se enganando e levando com a barriga, fingindo está vivendo o romance dos sonhos, digno de conto de fadas.
Não se deve mendigar o amor. Humilhar-se. Esse tipo de autoflagelação não se é permitido no amor. Não senhor! (isso só será permitido se você não estiver afim de buscar amor de verdade.)
Caso esteja disposto a essa autoflagelação, agüente as conseqüências! Um não-amor demanda muito jogo de cintura. Certa flexibilidade! Um não-amor lhe empurra a um jogo de interesses. E depois de insistir nesse tipo de relacionamento, me arrisco em dizer que não estou disposta a me submeter a esses tipos de jogos e, talvez assim, não esteja pronta pra viver o amor. Digo um amor que dói, maltrata.
Somos tão medrosos, temos medo de tudo. Ao mesmo tempo em que temos medo de vivermos sozinho pra sempre, temos medo de viver juntos pra sempre. Mas chega uma hora, que depois de anos e anos de insistência, batendo na mesma tecla, a gente finalmente cria coragem o suficiente pra correr atrás do que queremos na vida. Eu sei que certeza, certeza, a gente nunca vai ter, mas sempre há aquele momento onde precisamos de calma pra poder voar, se perder e se achar pra poder saber que caminho tomar.
Respeito de verdade aquele que tem cara e coragem pra assumir o que deseja e ir à luta. Lutar em busca de um amor verdadeiro que o faça sentir completo quantas vezes necessário. E no fim de tudo esse é o único desejo de todos. De que adianta se esconder por trás de armaduras, tudo seria mais fácil se não nos escondêssemos, não jogássemos e apenas parássemos pra viver. Amar, re-amar... quantas vezes isso for preciso.
Mas também, quem dera fosse tão fácil assim.
Sei disso tudo, mas também sei que vou continuar insistindo nesses relacionamentos, nesses não-amores, e usar todas aquelas velhas desculpas. E no meio disso tudo, continuar escrevendo, sentindo, vivendo inteiramente. Amor é uma coisa que, pra felicidade de uns e infelicidade de outros, é impossível afastar de quem eu sou. O amor se torna a minha verdade absoluta.



(Conseqüentemente, se me perguntarem se vou continuar a insistir nesses relacionamentos e não-amores, com todas aquelas velhas desculpas inventadas, responderei que sim. Mas, aconselho os desavisados: haja coragem pra aguentar o amor que eu sou e tenho pra dar.)


Beeijos ;* Déborah L.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

' Escrever


- Tenho constante mania de escrever, sem nenhuma intenção de ser reconhecida por isso ou coisa do tipo. É simplesmente um gosto, ou poderia ser chamado vício?! O certo é que me sinto bem ao escrever. Gosto e vejo beleza nas palavras, independente delas ditas ou escritas, tudo depende do modo de como você as interpreta. Poemas ou prosas. Versos livres ou sonetos. Pode parecer tolo escrever do nada, mas para mim há sempre um papel em branco ou uma página limpinha no computador onde posso soltar meus sonhos, e  qualquer pessoa pode escrever, mas pra isso é preciso que as palavras tenham vida própria e não se deixem liderar por nós. Não somos nada mais que seus transmissores.
Sempre há alguma palavra que nos identifique mais, por mais que sejam pequenas, possui uma grandeza chamada sentimento. Um “Eu te amo” não diz nada perto do que é o amor. “Sinto saudades” não chega nem perto do que nos dói. E mesmo assim, são palavras jogadas ao vento que nos preenchem de vida, como o “silêncio”, “nada” e “vazio”.
Existem palavras que parecem que nos lêem e não são somente lidas, e com isso nos sentimos bem. Pegue um papel, escreva, transcreva tudo que vier na sua cabeça, na sua mente. Com certeza sairá linhas que expressem graça, que de alguma maneira lhe fará rir. Sentimentos humanos quando escritos num papel e expressados em formas de textos, contos e letras de músicas parecem-nos característicos. Feitos sob medida. Mesmo que de alguma forma aquilo também toque alguém e eternize momentos.
___Clarice Lispector traduziu de forma nobre esse experimento com as palavras, "Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada. Não é fácil escrever. É duro quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados".
 Reproduzir o irreproduzível, abençoar o que não pode ser abençoado. É difícil e até curioso tentar traduzir quem somos, o que realmente queremos e o que pensamos. O ser humano vive em constante mudança. Tentar quebrar nossas pedras interiores é duro. Dói.
As palavras também nos levam a lugares inusitados, aos mares nunca navegados, aos nossos mares mais profundos e desafiadores. Mas antes viver esse sentimento do que morrer encarcerado nos próprios pensamentos.
As regras gramaticais de nada valem nos pensamentos, nem mesmo o melhor vocabulário que se tenha. Não se pode imprimir o que a mente não criou. São indispensáveis idéias e sentimentos ponderados, acionados, vividos por neurônios, olhos que ouvem, mãos que falam, bocas que vêem, cabelos que correm velozmente ao vento e são inteiramente você. A gramática, a sintaxe e a ortografia de nada valem, são apenas estruturas de palavras. Já o sentimento, o pensar, a dor, o sabor e o querer... esses sim, transformam tudo em experiência! 
Você sabe dizer quantos aniversários você já fez, mas não sabe dizer quantas vezes seu corpo sentiu calafrios quando viu a pessoa amada, ou quantas vezes perdeu-se o fôlego e seu coração disparou.
Então não viva nas entrelinhas, seja autor da sua própria vida. Se deixe ler... viva!

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever.
Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?
Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos?
Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato.
Os dois juntos - sou eu que escrevo o que estou escrevendo."
-
Clarice Lispector




Beijos Déborah L.